segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Papai Noel existe?

Foto: arquivo pessoal
por: Tati

O Vítor sempre acreditou muito em Papai Noel. A gente sempre fez todo um ritual, que começa com as conversas para decidir o que vai ser pedido, passa pela produção da cartinha e seu envio e termina com o grande dia, com direito a leite com biscoitos para ajudar o bom velhinho a ter forças para continuar a noite e não esquecer nenhuma criança. Além disso, também fazemos uma programação especial para essa época do ano, iluminações que queremos ver, corais que assistimos as apresentações, filmes com pipoca e coisas do tipo.
 
Claro que nós nos desdobramos em mil para fazer tudo direitinho, de forma mágica para ele. Cansei de tomar leite e comer biscoitos mesmo depois de estar completamente cheia da Ceia de Natal. Mas não tenho do que reclamar, a alegria dele quando acorda e vê o presente embaixo da árvore sempre compensa tudo.

É claro que, para ele vir acreditando até aqui, nós tivemos que ter respostas plausíveis para várias coisas. Papai Noel de shopping? São homens vestidos de Papai Noel, eles ajudam a levar os pedidos mais rapidamente para o verdadeiro Papai Noel. Como ele consegue fazer presentes de marcas famosas? Ele tem acordo com as fábricas, parcerias. Como ele consegue entregar presentes no mundo inteiro em uma só noite? Ah, é mágica, né?

Esse ano eu comecei a ter outro tipo de preocupação. Ele já vai fazer 8 anos e ainda acredita piamente no Papai Noel. Quando será que ele vai deixar de acreditar? Será que vai ser muito traumático? Será que eu deveria começar a preparar o terreno? Mas meu coração fica apertadinho só de pensar em como falar para ele que as coisas não são bem assim, não tenho nem idéia de por onde começar. E sem contar que não quero que ele deixe de acreditar não, quero que ele continue acreditando nessa magia durante o maior tempo possível. A vida já é tão dura "aqui fora", quanto mais tempo ele continuar nesse mundo mágico é melhor, deixe que ele curta muito a infância.

Devagarzinho e com calma, comecei a prestar mais atenção ao modo com que ele estava tratando o assunto, para ver se havia alguma alteração, alguma hesitação. Mas não notei nada especial, a maior preocupação dele continuava a ser o fato de não saber se pedia um Nintendo DS 3D, uma câmera digital ou uma lousa (oi?). Além disso, esse ano ele demonstrou curiosidade sobre o modo pelo qual eu envio a cartinha do Papai Noel, mas já disse que mando pelo Correio mesmo e pronto, curiosidade satisfeita.

Então, eu fui direto ao ponto logo, que não tenho muita paciência de ficar rodeando e comendo pelas beiradas. Perguntei: "filho, o que os seus amigos dizem do Papai Noel". E ele: "que não existe". Preciso dizer que me faltou o ar? Mas tudo bem, eu fiz a melhor cara que consegui e perguntei: " e você? O que responde?". E ele me responde muito tranquilamente: "que eles podem achar que não existe, não tô nem aí. Eu sei que existe e pronto. Naquele dia que eu ganhei a bicicleta, que ela estava lá fora, eu sei que vocês dois estavam comigo na hora e não tinha como ninguém mais ter deixado lá, só podia mesmo ter sido Papai Noel. Então não ligo para o que os meus amigos falam". E a respiração da mãe volta e o peito enche de orgulho, né?

Enfim, eu estava me preocupando um bocado com essa situação, mas ele me deu uma bela aula de que eu não tenho que me preocupar tanto, que ele sabe muito bem como lidar com isso. Se você está passando pela mesma situação que eu e não sabe se seu filho vai lidar tão bem assim, eu recomendo o livro ou o filme Expresso Polar, que é sobre um menino que não está mais acreditando em Papai Noel, até que o trem pára em sua porta e o leva para uma aventura mágica na terra do bom velhinho. Ao final, ele fica com um guizo do trenó, mas só escuta o barulhinho aquele que continua a acreditar.

E vocês que já têm filhos maiores e que já deixaram de acreditar em Papai Noel, como foi a experiência? Compartilhe conosco!
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