
Imagem: www.necessaire.com.br
Por: Lilian
Acabou. Olívia não quer mais mamar no peito. Uma história de amor e superação chegou ao fim após oito meses. Quando leio essa frase, penso: "não estou sendo dramática demais?". Pode até ser que sim, afinal de contas consegui amamentar minha filha por um tempo bem razoável e sei que esse privilégio não acontece para todas as mães. Mas, quando penso na luta que foi (quem teve a chance de ler meu post do dia 15/11/11 pôde acompanhar um pouquinho o processo...), e no aprendizado que essa mesma luta me trouxe, sinto, sim, um pesar enorme por ter chegado ao fim.
Hoje posso afirmar que não existe experiência tão íntima, tão valiosa, tão repleta de amor em si mesma quanto amamentar. O olhar, o toque, a respiração do bebê transmitem algo que transcende as palavras e a racionalidade humana. É um momento animal, instintivo e sublime. Fácil? De jeito nenhum. A dor, a falta de sono, o cansaço que o digam. Amamentar exige um nível de doação e desprendimento que eu também nunca tinha vivido em qualquer outra relação afetiva. Como esposa, filha, amiga, prima, sobrinha, etc, nunca vivi um momento de intimidade tão profunda. Como mãe, conheci a "troca" que alimenta a alma.
Quando penso que não vou mais ter a sensação de alimentar a minha cria, que não vou mais viver esse momento "animal" - de toque, pele, cheiro, e de profundo carinho, sinto, sim, vontade de chorar.
Lembro de ter amamentado algumas vezes com a cabeça cheia, com sono, ou até de ter me entregado à inércia da televisão, por puro cansaço. Hoje, sabendo que a Olívia sorri e ergue os bracinhos para a mamadeira, eu me arrependo. Me arrependo de não ter aproveitado ainda mais cada instante. Nessa hora de total nostalgia, me pergunto se tirei o máximo desse "poder". O "poder" do leite com afeto. O "poder" da maternagem primitiva que tanto nos ensina. Tanto nos transforma