
Por: Glauciana
Muitas pessoas costumam se espantar quando sabem que eu sou mãe. Ficam ainda mais surpresas quando eu digo que tenho dois filhos. Normalmente soltam um sonoro "Nossa, mas tão novinha". De fato, eu tive Eduardo aos 25 anos e Luca aos 28, mas talvez pelo meu tamanho e peso acabam imaginando que sou mais jovem do que aparento. O que eu adoro, é bem verdade...rs.
Sobretudo depois que me separei e tirei a aliança dos dedos percebo que o espanto aumentou. E eu passei a refletir sobre a hora certa para formar família, para casar, para ter filho. Será mesmo que existe essa tal hora certa?
Durante toda a minha vida escutei das mulheres da minha família que eu devia ser uma mulher independente, estudar, trabalhar, conquistar minhas coisas materiais para só depois casar e ter filhos.
Não sei se desapontei minhas tias, avós e mãe, mas acho que fiz tudo ao contrário do que tanto me ensinaram. Sim, eu estudei, trabalho desde os 15 anos, acho que sempre fui uma pessoa autônoma, mas engravidei de Eduardo no meio de minha segunda graduação, antes de me casar, sem ter o tal carro e o apartamento que eu "deveria" ter antes de formar família. Aliás, fui uma das primeiras da minha turma e receber a visita da cegonha.
E eu mesma, depois da separação, fiquei me questionando se eu não tinha feito tudo errado, porque não me encaixava nesse padrão que predomina por aí. Com a ajuda de muita análise, estou conseguindo entender que talvez não exista tempo certo, não exista padrão. Como é que podemos colocar em uma caixa de padrão algo que tem a ver com seu momento de vida, suas aspirações ou apenas aquele componente que não podemos controlar, que muitos podem chamar de destino?
Eu, por exemplo, sempre fui considerada precoce por todos. Tive amizades com pessoas mais maduras que eu, saí de casa aos 18 anos e me apaixonei perdidamente aos 19 anos. O namoro ficou sério, fomos fazendo planos e aos 25 me casei e tive meu primeiro filho. Dois anos depois, chegou Luca, o segundo herdeiro. Em paralelo a tudo isso, cursei duas graduações, trabalhei, viajei, estudei, conquistei coisas materiais.
E, então, será mesmo que existe uma regra de padrão linear em que as coisas de sua vida devem ir sendo feitas? Há um "life deadline" fixado para nossas existências? Hoje eu acredito que a vida é circular demais para ser colocada em caixinhas dessa forma. Todas as esferas acontecem ao mesmo tempo e nossas escolhas são pautadas também nas escolhas de um parceiro, quando falamos de filhos e casamento.
Conheço algumas pessoas que conseguiram, sim, fazer tudo nesse tal padrão: estudar, trabalhar, se fixar na carreira, namorar, noivar, planejar a compra do apartamento, ficar dois anos curtindo a vida de casados e depois engravidar. Conheço também outras que estão sempre protelando a chegada dos filhos por conta da agenda em outros aspectos da vida "depois da pós-graduação", "depois do apartamento maior", "depois daquela viagem para a Grécia" dentre outras.
Eu, como disse, fiz tudo-ao-mesmo-tempo-agora e sinceramente não vejo qual é o problema disso. Se eu sou muito nova? Talvez! Aos 29 anos já tenho no currículo um relacionamento que durou 10 anos (5 de namoro + 5 de casamento), dois filhos e um divórcio. E o que a pouca idade me traria de problemas nisso? Essa é a grande pergunta que eu faço quando me sinto desconfortável com o espanto das pessoas.
Eu acho mesmo é que eu tenho sorte por ter encontrado e vivido uma grande história de amor aos 19 anos. Acho mesmo que ganhei a mega sena acumulada por meus filhos terem chegado de presente para mim tão cedo e me transformado na pessoa que sou hoje: muito melhor!
*Imagem: We heart It