terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pai não é mãe!

Por: Lilian

Por incrível que pareça, em plena pós-modernidade ainda há muitos pais que não ajudam nos trabalhos domésticos ou no cuidado com os filhos. Os pais de hoje foram filhos ontem e, por isso, a questão volta para nós, mães. Afinal de contas, somos nós as responsáveis pelos maridos de amanhã e é muito importante prestarmos atenção nos homens que preparamos para o mundo.

Agora, é bem verdade também que muitos homens pós-modernos já estão diferentes. Com a divisão de despesas veio a divisão de tarefas e, muitos deles põem a mão na massa, sim.

Se esse é o caso do seu marido/companheiro, o texto de hoje é para você.

Vocês já se viram brigando com eles, "corrigindo" a maneira que cuidam dos pequenos? Nunca é do jeito que a gente gostaria. Nunca é da forma que a gente faria e...muitas vezes, a gente se irrita tanto ao ver algumas cenas que prefere fazer a gente mesma. Quando menos percebemos, já estamos retomando a tarefa para nós e reclamando por isso. Verdade ou não?
Pois é. Só que nós nos esquecemos que pai não é mãe. Pai é pai. Mãe é mãe.
O que nós vemos como "errado", abrupto, às vezes até rude, não é. É apenas um jeito diferente do nosso. O jeito "pai" de ser e fazer as coisas. Se repararmos bem, os pequenos, os mais interessados nessa história toda, nunca reclamam do jeito "pai" de cuidar.

Quem nunca ouviu o jargão: "mãe cuida", "pai brinca"?

Faz todo o sentido pra nós. Só que, sem nos darmos conta, lá estamos nós de novo: "não faz assim!", "ele não gosta disso!". Não gosta? Quem disse?
Costumamos nos queixar do excesso de trabalho que uma criança dá, que não temos tempo de conciliar todos os papeis, que estamos sempre cansadas, sobrecarregadas....mas, quando nossos companheiros tentam nos ajudar, pronto! Repelimos a iniciativa, tomamos a tarefa para nós e continuamos cansadas. Para justificar, logo sai um "eles não sabem fazer" - "não como nós". Claro que não. Nunca farão como nós. Eles têm outra forma de pensar, agir e estar no mundo. Temos que parar de achar que a nossa forma é a única, porque não é. Se repelirmos continuamente as iniciativas dos pais, ficaremos, sim, sozinhas com as tarefas. Com isso, perdemos nós, e perdem as crianças, que deixam de ter a oportunidade de entrar em contato com o pai que elas têm. E elas precisam dele exatamente do jeito que é.
Nós, mulheres, precisamos ter a dimensão de que nós é que abrimos caminho para o contato pai-filho. Ajudamos os dois a estreitarem um laço importantíssimo para ambos, especialmente para a criança.

Sei o quanto é difícil controlar nossos repentes de "deixa que eu faço". Eu mesma me pego várias vezes falando coisas do tipo "não bota a fralda assim, bota assado"; "cuidado que ela vai cair"; "cuidado que ela não gosta assim"! Não gosta? A Olívia nem fala ainda....E sabe do que mais? Ela se derrete toda é pra esse pai. Mal jeitoso e atrapalhado aos meus olhos, mas muito divertido e carinhoso aos olhos dela.

Meninas: deixemos, pois, o pai entrar.

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