quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A mãe e o vínculo

Por: Lilian
Fonte: Natura Mamãe e Bebê


Quem participa do debate materno já ouviu por diversas vezes a palavra vínculo.

Fala-se muito sobre a importância da construção de um bom vínculo mãe e filho, sobre seus efeitos no desenvolvimento psíquico da criança, e mais...sobre seus efeitos na sociedade, uma vez que seres humanos com vínculos fortes são seres humanos mais seguros, felizes. O impacto disso para a humanidade é indiscutível. Claro que uma mudança nessa dimensão requer um trabalho árduo e de longo prazo, sem dúvida. Mas, a colheita de seus benefícios é evidente.

Como mães, somos responsáveis, sim, pelo desenvolvimento do primeiro vínculo – nós com nossos bebês. Sempre que lia a respeito, confesso que me assustava com o tamanho da responsabilidade. Eu me questionava se, como mãe falível que sou, realmente seria capaz de desenvolver um laço tão forte, tão poderoso com minha filha. No começo, eu me perguntava se o desprendimento da Olívia era fruto de um vínculo não tão forte. Me culpava e me perguntava o que eu tinha feito de errado, o que tinha deixado de fazer, enfim...

Pode parecer bobagem, mas quando falamos que na maternidade o tempo resolve muita coisa, é verdade. Com o passar de quase 11 meses, pude perceber que o desprendimento dela era, além de uma característica própria, prova de que estava tudo bem com o nosso vínculo. Sempre que eu a via brincando livre, leve e solta no berçário sem sequer olhar para trás (ok, estou exagerando, mas tem dias que ela não olha mesmo...rs), ficava com essa dúvida. Mas, depois de muitas demonstrações de desprendimento, fui percebendo também outras nuances que me acalmaram. Um carinho no meu rosto antes de dormir, a procura do meu olhar quando ela cai para saber se doeu mesmo ou não e, a mais forte delas: o seu “grude”comigo quando ela percebe, por mais que eu disfarce, que não estou bem por algum motivo. Um abraço, um pedido de colo com olhar penetrante são alguns exemplos de que estamos conectadas, sim.

Como descrever essa ligação? Acho que apesar de todos os meus defeitos e falhas humanas, estou conseguindo dar o melhor de mim para essa relação. Percebo também que graças a esse vínculo bem estabelecido entre nós duas, ela também consegue (e conseguirá) estabelecer boas relações com outras pessoas importantes em sua vida. A tia da escolinha, um amiguinho, o porteiro do prédio, a balconista da padaria onde tomamos café todos os fins de semana... Me enche o coração quando já vejo sinais de que ela reconhece o outro, à sua maneira, e quer tê-lo por perto. Sei que estamos, meu marido e eu, conseguindo prepará-la para desenvolver laços que farão parte de sua história. Afinal de contas, não existe história sem personagens. E quanto mais personagens temos em nossa história, mais rico fica o enredo da vida.

Pode parecer poético, mas os efeitos de bons vínculos são objeto de estudo de vários especialistas, inclusive de empresas. A Natura, por meio da marca Mamãe e Bebê, não só estuda como também defende os benefícios do laço “mamãe e bebê” para a construção de um mundo melhor.

Recentemente fomos convidados pela Nestlé para uma palestra exclusivamente realizada para mães que atuam na blogosfera materna. O assunto central era, como se pode imaginar, nutrição. Mas, adivinhem quem passou por lá como importante agente da boa alimentação? Sim, o vínculo. O vínculo entre pais e filhos e o vínculo entre crianças e as pessoas envolvidas em sua alimentação. Para a empresa, essa “palavra mágica” também contribui para que crianças se alimentem melhor.

Fonte: Evento Nestlé Nutrir 14/02/12

Criar laços de respeito e afeto com pessoas ao nosso redor, além de prazeroso, deixa nosso repertório como ser humano muito mais rico. E seres humanos com bons repertórios definitivamente farão um mundo melhor. Eu e a Mulher & Mãe acreditamos piamente nisso.



Beijo grande,
Lilian



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Falando sobre o bullying


por: Tati
Nesse fim de semana eu fiz um curso e um dos temas abordados foi o bullying. Quando se fala assim, a primeira coisa que pensamos é: esse assunto de novo? Isso já não foi tão debatido? Mas durante a palestra eu tive um bocado de idéias e uma delas foi falar do assunto aqui no blog com vocês. Pois, apesar da maior parte das nossas leitoras assíduas ter filhos bem pequenos, uma grande parcela também tem filhos em idade escolar, como eu, e é importante saber um pouco mais, já que nem todos os aspectos são tão falados assim.

Acho que todo mundo já ouviu falar sobre, mas não custa explicar direitinho o que é o bullying e como ele começou a ser chamado assim (porque existir ele sempre existiu). Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por uma ou mais crianças contra um ou mais colegas. A primeira pessoa que relacionou a palavra ao problema foi o professor e pesquisador Dan Olweus, da Universidade da Noruega, no fim da década de 1970. Ao estudar as tendências suicidas entre adolescentes, o pesquisador descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de ameaça e que, portanto, o bullying era um mal a combater.

Bem, mas o que me levou a escrever este post sobre o assunto é que, apesar da gente sempre escutar sobre bullying por aí, nunca achamos que o assunto tem a ver com a gente. Sentimos muito quando algo mais grave acontece, mas sempre achamos que isto está láááááá longe da nossa vida. E não é exatamente desta forma que a coisa funciona. De acordo com uma pesquisa feita pela ONG Abrapia, há bullying em 100% das escolas, em diferentes graus de gravidade. Portanto, se temos filhos em idade escolar, é muito grande a chance de que nossos filhos se tornem vítimas, agressores ou espectadores desse "fenômeno". Se isso já está acontecendo, muitas vezes não sabemos como lidar. E se não aconteceu, precisamos orientar nossos filhos para lidar com essa situação. Aliás, é preciso lembrar que já foram identificados casos de bullying em escolas de educação infantil, com crianças de aproximadamente 4 anos (informação que me deixou bem chocada, confesso).

As crianças mais propensas a sofrer com o bullying são as que, por algum motivo, são "diferentes": as muito altas, as muito baixas, as que usam óculos, usam aparelho. Aposto que você sabe bem como é, aposto que também passou por isso na escola. E aí você me pergunta: mas isso acontecia no nosso tempo também, qual a diferença agora? A diferença é que o bullying não é simplesmente uma brincadeira de mau gosto, tão comum na infância (e em muitos adultos também, abafa). O bullying é uma agressão moral profunda e repetitiva que muitas vezes evolui para a agressão física, afetando profundamente a vítima. Vale lembrar que todo bullying é uma agressão, mas nem toda a agressão é classificada como bullying.

Outra coisa que os pais costumam não saber é que o bullying não se resume a vítima e agressor. Também participam do processo aqueles que só "assistem" as agressões. Alguns não "colocam a mão na massa": nem saem em defesa da vítima, nem se juntam aos autores. Mesmo assim participam como platéia ativa, incentivando a violência. Outros se fecham, com medo de passar a ser o alvo dos ataques ou sofrer represálias. Também há os que se "anestesiam" com a situação e passam a considerá-la uma prática natural. Mas mesmo sem se envolverem diretamente com o bullying, eles também são afetados pela situação.

Agora que já falei tudo isso, vamos ao que realmente importa: e o que eu posso fazer?

- Crianças muito criticadas pelos pais são mais propensas a sofrer bullying, pois sua baixa auto-estima faz com que se sintam inseguras e com poucos amigos. Por isso elas sofrem caladas e não procuram ajuda.

- Explique para os seus filhos o que é o bullying e os ensine que esse tipo de situação não é normal. Mostre a eles como identificar os casos e a procurar ajuda com o adulto responsável, mesmo se não estiver acontecendo com eles.

- Ensine-os a respeitar os colegas, se colocar no lugar dos outros e evitar brincadeiras de mau gosto.

- Mostre-se sempre aberto a ouvir e a conversar com seus filhos. Eles precisam ter um adulto de confiaça com quem contar em um momento como esse. É importante que as crianças e os jovens se sintam confiantes e seguros de que podem trazer esse tipo de denúncia para casa e que não serão pressionados, julgados ou criticados.

- Fique atento às bruscas mudanças de comportamento. É comum que as vítimas passem a apresentar quadros de diarréia, vômito e depressão, entre muitos outros, principalmente na hora de ir para a escola. Se precisar de ajuda, entre imediatamente em contato com a direção da escola e procure profissionais ou instituições especializadas.

- Caso seu filho seja o agressor, não tente minimizar o problema. Investigue o motivo pelo qual ele está agindo assim, converse com os professores e procure ouvir todas as críticas sobre ele. Procure conversar mais com ele, aproximar-se de seus amigos e saber quais atividades realizam. Demonstre ao seu filho que continua amando-o tanto quanto antes, mas que desaprova seu comportamento. Não se culpe demais pelas atitudes dele, mas não deixe de agir para que essa situação não continue acontecendo. Procure profissionais ou instituições especializadas para ter mais orientação.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fragmentos da Vida Materna - capítulo 3

Imagem: Getty Images


Por: Fabi

No capítulo anterior conto como uma pergunta feita na hora errada pode desencadear uma respostinha "tolerância zero" e foi justamente essa questão que me transportou para a fase em que as "perguntas absurdas" acontecem junto com cada mamada.

Portanto, cara leitora, hoje é ontem e convido você a voltar comigo para usufruir da maternidade real, como ela é,nua e crua, no momento mais rico das questões sem sentido.

Episódio de hoje (no passado) : A pergunta fatal!!! (por favor, leia com eco)

Não sei exatamente em qual dia da semana estou, afinal, mãe de RN não vê a menor diferença entre eles.
São cerca de 17 horas do horário de verão e sabe-se Deus porque Joaquim começou a chorar.

Então, começo minha peregrinação. Ofereço o peito e não resolve, faço massagem na barriga, não resolve, dou banho, também não resolve, pego no colo e não resolve.
Joaquim chora muito e chora com língua "vibracall" (sabe quando ela fica pulando dentro da boca?).
Tiro ele do quarto, passeio pela sala, mostro as pessoas na rua, começo o circuito materno novamente (peito, massagem...colo) e NADA...

Não tenho idéia de quanto tempo faz que ele está nesta crise, eu simplesmente estou arrancando meus cabelos (menos os da frente que já caíram por conta) para tentar fazer com que ele pare e depois de 454 horas 26 minutos e 48 segundos (da minha sensação emocional) ele cansado ameaça dormir (eba!!!!!!!).

Ajeito o berço, coloco ele como se fosse uma caixa com 60 dúzias de ovos e reparo que a moça que me ajuda em casa está assustada (e me julgando como mãe), mas, isso não é nada perto do ápice deste capítulo.

Logo uma certa paz ocupa o recinto. Ele dá sinais de sono, fecha o olhinho e é exatamente neste segundo de paz que a campainha de casa toca e ela toca e ele acorda e ela toca e ele assusta e então, começa a maior choradeira novamente (conhece este ciclo?).

Agora com as visitas (é tão bom quando o bebê não para de chorar e a casa está cheia, né?) Joaquim passa de um colo para outro aos prantos e para completar, Joaquim chora e de tanto chorar Schu, o cão, começa a uivar. Agora somamos um bebê que chora, um cão que uiva, uma casa cheia e uma mãe com nervos a flor da pele.
A coisa esta prestes a ferver neste capítulo!

Ai, sempre tem aquela pessoa com presença de espírito, sempre tem aquele que acha que pode tudo, sempre tem aquele que solta a pergunta fatal e no meio dos berros ela vem redonda, pronta para receber um chute: MAS FABI, PORQUÊ ELE NÃO PARA DE CHORAR?

Silêncio;
Silêncio com vontade de dar na pessoa;
Silêncio com palavras presas na garganta;
Silêncio quase não mais silêncio

Respiro, conto até 10 e digo calmamente: Se EU SOUBESSE o motivo ELE NÃO ESTARIA MAIS CHORANDO!!!! Aliás, eu gostaria de ficar sozinha com ele (e fiquem a vontade para me achar descontrolada).

Bom, agora como única adulta da casa resolvo colocar Joaquim chorando no berço. Aproveito para pegar meu sanduíche de lágrimas (sabe aquele meio velho que você come em meio a profundos soluços?) e sento no chão do quarto.

Vamos recapitular a cena:
Um quarto escuro (sim, já se passaram algumas horas), uma mãe comendo e aos prantos, um cachorro uivando e uma criança gritando e quando a gente acha que não dá para piorar o pai chega.

E ao ver aquela cena que dá medo (neste caso não posso julgá-lo) ele tenta ajudar e solta a próxima pergunta fatal: Quanto tempo eu ponho a secadora para funcionar?

Né?

FIM

Fragmentos da Vida Materna - a primeira postnovela materna brasileira - continua na próxima semana.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Fragmentos da Vida Materna - capítulo 2





Por: Fabi

No capítulo anterior eu e Joaquim brigamos na hora de dormir. Se você
perdeu este fascinante episódio clique aqui.

Episódio de hoje - Tá de mau humor?

São 5:50 e o despertador toca. Reluto, porque sinto um cansaço fora do normal.
Mas os despertadores não ligam para nossos sentimentos, então, para
não brigar sozinha resolvo levantar.

Ajeito minha camisolinha pós-parto, caminho com bolas de ferro nas
pernas até o banheiro.
Acendo a luz....Ahhhhhhhhhhhhh! Desculpa, acabei de olhar meu rosto no espelho.

Como resolvi ir para a academia tenho que dar uma "rebocada" nas
faces, afinal, ninguém tem culpa da briga noturna.
Pego aquelas esferinhas geladas e começo a dar voltas nos olhos e são
tantas que me sinto no filme "Férias Frustradas"(lembra da cena da praça?).

Devidamente arrumada saio, mas antes dou mamadeira para Joaquim, faço
cafuné no Schubert (o cão), faço a prece estilo facebook (a da manhã
tem mais caracteres).
Volto para tomar banho antes que todos acordem. Então, reboco as faces
pela segunda vez, me troco e acordo Joaquim (aproveito para dar
bastante beijo e ele sempre me empurra).
Levo o mocinho pro banho, troco e sinto o cheirinho. Como ficam
gostosos depois do banho, não?
Deixo ele no sofá para arrumar minha bolsa do trabalho, a lancheira e
a mochila de Joaquim. Aproveito também para preencher e assinar a
agenda da escola. Com todo o check-list feito pego saquinho, coleira,
cachorro, filho e algum brinquedo.
Hora de passear!
Aproveito no caminho para cantar algumas músicas com Joaquim e para
ensinar alguns nomes. Terminou o passeio. Então, limpo o cão, repasso
tudo e finalmente estamos todos (ou quase todos) prontos para começar
o dia.

Preparada para o ápice do capítulo?

Agora são cerca de 8:30 da manhã o marido que acordou há pouco passa
por nós. Percebo que ele fica olhando a geladeira de um lado e de
outro. Então, vira pra mim e antes mesmo de dar bom dia diz: Você viu
que tem um amassado aqui? E mostra com o dedo.

Resposta irônica: Sim, eu fiquei batendo com uma colherinha de café.
Precisei de 3 horas e 54 minutos e 32 segundos para conquistar este efeito.

Super close no marido, que vira meio magoado para mim e diz: Nossa, mal
acordou e já está com esse humor?

FIM (com riso e choro, né?)

Não perca o próximo e eletrizante capítulo de FRAGMENTOS DA VIDA
MATERNA - a primeira postnovela brasileira.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Saudades de ser eu mesma

Imagem: Getty Images


Por: Lilian

Você vai ler aqui pensamentos que muitas mães têm e sofrem por tê-los - mesmo que por milésimos de segundos. Basta um flash dessas coisas em nossa cabeça que, pronto! A culpa se instala e nos faz sentir mal.

A Olívia foi a coisa mais maravilhosa que aconteceu na minha vida. Não consigo mais imaginar minha vida sem ela. Sem seu sorriso, seu jeito todo “despachado” e até seu chorinho nas madrugadas...eu não conseguiria viver.

Só que tem hora que bate uma saudade da vida de antes....Bate uma saudade de ser só mulher e viver vida de casal sem hora para dormir, sem hora para acordar, sem hora para chegar em casa...
Bate uma invejinha (ôooooooooo se bate) das pessoas que usam e abusam da sua "avulsice" e podem fazer happy hour depois do trabalho, podem ocupar suas 24h como bem entendem, podem ser profissionais mais presentes porque não precisam sair às 18h00...
Todo mundo fala do trabalho que dá ter um filho, mas a dimensão mesmo você só tem vivendo a experiência. É tanta doação, tanta entrega...

Se eu penso que minha vida era mais fácil antes? Sim, penso. Se eu me arrependo? Não. Nem um pouco. Sabe por que não? Porque com um filho, nasce também o maior amor do mundo. Esse amor é tão grande que te faz vencer qualquer instinto menos iluminado, qualquer sentimento conflitante.

Uma vez, ouvi que um filho faz com que nos tornemos pessoas melhores. Hoje eu entendo o verdadeiro sentido dessa frase. Somente por um filho, somos capazes de vencer nosso lado sombra, dia a dia. Só esse amor pode nos faz vencer o egoísmo, o orgulho e a vaidade - as mazelas da alma.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Fragmentos da Vida Materna - capítulo 1

Imagem: Getty Images

Por: Fabi

A primeira POSTNOVELA MATERNA BRASILEIRA que envolve drama (de preferência o mexicano), cansaço, risadas e situações completamente comuns as mães.

E no capítulo de estréia: Eu quero dormir

Levanto do sofá, olho para o microondas onde o relógio marca 0:45.
Estou sem sono, não deveria ter visto como as pessoas são felizes no facebook.
Mas insisto, dou passos decididos até o banheiro. Preciso passar uma água no corpo e preciso também tirar a máscara para os cílios efeito 3D (dispenso a cara de panda baladeiro).

Escuto o barulho do ventilador, tudo parece muito tranquilo.
Então, visto minha camisola pós-parto (eu costurei a alça e deu super certo).

Hora de deitar.
Olho para a minha cama e vejo um homem lindo. Ele ocupa todo o espaço (estou falando do Joaquim, meu filho, que dorme com a gente para pânico do meu terapeuta). Aproveito para beijá-lo ternamente e para empurrá-lo, porque não existe nada mais folgado que este molequinho de 2 anos.

Agora, com algum espaço me jogo com a suavidade de uma jaca mãe (para não acordar meu parceiro). Ajeito o travesseiro e sinto dores na lombar (eu sempre lembro dela na hora de dormir).

Num ato de agradecimento falo com Deus. Costumo nestas horas usar as "preces estilo twitter" 140 caracteres com link para a oração dominical feita por Cid Moreira.

Ai vem o avassalador cansaço de mãe. Fecho os olhos e quando estou pronta para sonhar escuto um pedido que ecoa no ar: "mamãe lele".

PARA TUDO!!!!!

Como assim mamadeira? Estava prestes a encerrar o primeiro capítulo!

Então, envolta em minha confusão materna disse de forma decidida: Não vou dar porcaria de mamadeira nenhuma. Estou preocupada com sua boca, essa mamadas noturnas podem dar cárie.

Mas não encontrei a resposta desejada. Homens simplificam diante da dor e então ele pediu, desta vez chorando: mamãe lele.

Recordei momentos anteriores, lembrei do jantar "refluxado*" (*vomitado versão postnovela) e cedi: TOMA AQUI SUA LELE (nesta hora minha voz estava embargada).

Ele tomou tudo, me devolveu a mamadeira com um cutucão no ombro (tipo "toma ai") e voltou a dormir. Mas eu já tinha olhos abertos, pensamentos em série como: marcar dentista, passar pelo saldo do banco, pensar no lanche da escola,etc. Olhei novamente para o relógio e ele marcava 2:30.

Agora, se tiver coragem leia as linhas a seguir porque as informações são quentes e desfecham este enredo.

O maior drama da postnovela brasileira. Algo que não acontece com nenhuma mãe.

Vou aqui recapitular. "Olhei novamente para o relógio e ele marcava 2:30" e eu, eu precisava levantar às 5:50.

FIM!


Na próxima sexta mais um capítulo de Fragmentos da Vida Materna - a primeira postnovela materna brasileira

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O papel da morte

Imagem: Arquivo Pessoal

Por: Thais Padilha Castilho

Existe uma frase do Shakespeare que diz algo mais ou menos assim: Não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.

Meu nome é Thais, tenho 23 anos e venho descobrindo, dia após dia, quão verdadeira é a passagem acima. Sou mãe do Theo – 1 ano e 10 meses – e perdi meu companheiro num acidente de automóvel há 6 meses.

Conviver com a dor da perda todos os dias e ainda ter que ser mãe, trabalhar e cuidar pessoalmente dos inúmeros problemas que a morte deixa com a ausência de quem amamos, me fez perceber que nem sempre na vida podemos parar pra dar aquela respirada e aguardar 5 minutos.

Eu poderia abordar a minha história de diversas formas neste pequeno texto, mas hoje eu escolhi falar da burocracia do luto, principalmente quando somos mães.

Desde que o André nos deixou, naquela segunda-feira tão cheia de sol que era quase impossível não ter bons pensamentos - não fosse o pior pensamento de todos ter se tornado real – eu, como mãe e viúva, tive que, muitas vezes, guardar a dor pra mais tarde para cuidar de coisas inadiáveis; coisas que a morte impõe, coisas além do absurdo da angústia e da saudade: os aspectos legais – que de legais não têm nada – da vida após a morte – neste caso, a minha vida e a do Theo.

Resumindo toda a burocracia que passei nos últimos 5 meses para que os direitos do Theo sejam cumpridos, dentre milhões de documentos que me foram exigidos, a busca por um deles, em especial, me colocou em uma situação muito dolorosa que quero dividir aqui.

Precisei ir até determinado local para conseguir uma certidão de prontuário, um documento que pelo que sei faz vezes de rg na falta deste. Chegando lá, o moço foi simpático e explicou todo o procedimento para conseguir um papel falando da vida de alguém que não vive mais. Não teria pq ser diferente para alguém que lida com isso todos os dias. Mas pra quem viveu também um pouco daquela vida que não existe mais – e que morreu um pouco ali também – é um tanto triste – e vazio – que as pessoas virem todas papel depois de mortas. Como se já não bastassem os papéis que somos obrigados a representar quando vivemos, com a diferença de que esses não são timbrados. E é procurando por folhas de papel que eu enterro o André de novo, todos os dias.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

De mãe pra mãe - Escolhendo a escolinha

por: Tati

Hora de escolher escolinha ou creche para os filhos é complicado. A gente nunca consegue pensar em tudo, fica em dúvida, visita milhões delas e ainda assim não sabe se vai conseguir fazer a escolha certa. Então, para ajudar aquelas que estão passando por essa árdua tarefa, pedimos ajuda às maiores especialistas no assunto: as mães. Confiram a super lista que elas passaram para a gente!

Claro que muitas dos itens são pessoais, algumas pensam de um jeito e outras de outro. Mas dá para ter uma boa idéia do que procurar e não ficar tão perdida. Além disso, o mais importante de tudo é você sentir segurança no local onde você está deixando o seu filho.

1) Higiene


- Onde fica o material da criança? (no chão? em armários?)


- Como é o local de troca das fraldas? (se tem chuveirinho e um trocador)


- Quantas trocas de fraldas são feitas por dia?


- Fazem o desfralde?


- Eles dão banho na escola?


- Como são as roupas das funcionárias? (limpeza, se usam ou não uniforme)




2) Refeições


- São todas fornecidas pela escola? quais os horários (as vezes a janta é muito cedo e eles ficam logo com fome)


- Como é o cardápio? A mãe pode pedir substituições?


- É feito por uma nutricionista?


- Pode levar lanche de casa?


- Tem frutas no cardápio?




3) Segurança


- Tem parquinho? os brinquedos e o chão são feitos de quais materiais? como é feita a manutenção?


- Tem escadas? janelas? Estão devidamente protegidas?


- Como é a grade dos berços?


- Onde fica a banheira? Se estiver no alto, tem segurança para as crianças?


- Quinas e tomadas estão devidamente protegidas?


- Tem material perigoso onde ficam as crianças?




4) Adaptação


- A mãe fica junto?


- É feita durante quantos dias?


- Quantas horas por dia?




5) Infra estrutura e proposta pedagógica


- Quantas crianças por sala?


- Quantas professoras e auxiliares?


- Como é controlado quem pode levar a criança da escola?


- Tem taxa de material? O que consta da lista?


- Tem hora do sono?


- As crianças grandes ficam separadas das pequenas?


- Além das atividades pedagógicas, tem brincadeiras e tempo livre para "ser criança"?


- Localização (perto de casa ou do trabalho?)


- Tem local para tomar banho de sol?


- Os berços são individuais?


- Se sentir sono fora do horário, qual o procedimento?


- Se chorar pedindo colo, qual o procedimento?

Um muito obrigada especial para todas as mamães que mandaram suas dicas!!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Joaquim ruim de garfo, colher, escumadeira e qualquer coisa que lembre comida

Imagem: Getty Images


Por: Fabi Dezidério

Eu sempre imaginei ter um filho glutão. Isso porque eu amo comer coisas boas para o corpo e coisas boas para a boca.

Logo, quando Joaquim começou a apresentar dificuldade para se alimentar entrei em parafuso.

Ficava maluca com a pediatra ao telefone, que pela insistência (e talvez pelo meu drama) resolveu adiantar em 1 mês as frutinhas.

Testei as permitidas e depositei minhas fichas na banana, já que é a predileta da maior parte das crianças, mas mesmo assim ele se mostrou econômico, ou como gosto de chamar 1.0.

Então, fui para as sopas salgadas. A pediatra pediu para misturar batata, cenoura ou mandioquinha com um pedacinho de frango.

Pensei que ia ser uma moleza. Sai com meu bebezinho pendurado no canguru para comprar as coisas. No ar a expectativa: será que ele vai gostar dos salgados?

Na volta coloquei tudo para cozinhar. 1 cenoura, 1 batata e 1 peito de frango. Sim, você leu 1 peito de frango.

Cozinhei horas, né? Fiquei com medo de deixar o frango cru e quando estava tudo pronto esperei esfriar um pouco (mas só um pouquinho porque eu não tenho paciência). Taquei no liqüidificador e pimba, botei pra bater.

O coitado começou a fazer um barulho estranho, as pás não rodavam direito e depois de muito insistir a pá parou e o liqüidificador queimou.

Experimentei o resultado, achei ruim, mas pensei que era por não ter tempero. Coloquei Joaquim no cadeirão, babador, sopa, prato, colher torta e mandei ver.
Só de lembrar a carrinha que ele fez me dá remorso.

Desisti da mistura e liguei para a minha mãe para pedir aquele "help". Quando contei, ela começou a rir sem parar repetindo "1 peito de frango?" e ria e repetia "1 peito de frango?".

Depois do sarro e das instruções resolvi testar novamente. Ele comeu muito pouquinho e mostrou que veio para viver e comer e não o contrário.
Confesso que senti culpa por um período, achei que o "patê de frango" tinha estragado meus planos, mas não, Joaquim não é um comilão mesmo.

Por isso termino este post mandando abraços fraternos a todas as mamães que passam por isso, pois não é fácil e a gente sofre :)

bjs.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Tem dias que já estou cansada às 11 da manhã

Imagem daqui

por: Tati

Ser mãe é muito bom, só quem é sabe a maravilha que é, de verdade. Mas vamos combinar, ser mãe cansa "demais da conta". Tem dias que eu já estou um lixo às onze da manhã, doida para voltar para casa e dormir até o dia seguinte. É mochila para arrumar, lanche para separar/preparar, levar para natação, judô, capoeira, balé, ver se tem roupa para lavar/passar, casa para arrumar, dever a inspecionar/ensinar, catar mamadeiras e fraldas por todos os lados... Faço tanta coisa antes mesmo de sair para trabalhar que as vezes até eu duvido que fiz tudo aquilo. Com vocês também é assim?

Sem brincadeira, tem dia que eu tenho vontade de rir quando o segurança aqui da empresa se despede de mim, no fim do dia, dizendo "bom descanso". Eu sei que é uma gentileza dele, mas não consigo deixar de pensar "que descanso, meu amigo"? Se quando eu chegar em casa ainda vou ter 62449983742384 coisas para fazer e, provavelmente não vou nem dormir no mesmo dia em que acordei.

Não achem que estou reclamando não! Eu sou super ativa, normalmente tenho o maior pique para encarar todas esses "turnos" e ainda inventar outras coisas. Mas, mesmo sendo assim tão ativa, tem dias em que eu me vejo tão cansada, tão cedo, que me pergunto o que aconteceu (será que esqueci de anotar a placa do caminhão que me atropelou?).

É claro que é diferente de mãe para mãe, porque algumas tem babá, empregada, faxineira, super maridos... outras não tem nenhuma das opções anteriores. Mas eu até posso estar errada, mas acredito que no fundo toda mãe sempre tem milhões de coisas para fazer, tudo ao mesmo tempo agora (pelo menos as boas mães). Porque por mais que algumas coisas possam ser delegadas, existem aquelas outras que não dá para "terceirizar". Aí soma isso com tudo o que a gente tem para fazer também e vira aquele caos.

E vocês, o que acham? Também têm esses dias de cansaço master? Ou têm tanta ajuda que nem sabem o que é isso?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Diagnóstico, luto e expectativas

Imagem: Arquivo particular


Por Andréa Werner Bonoli

“When one’s expectations are reduced to zero, one really appreciates everything one does have” ~Stephen Hawking

Tenho certeza de que este vai ser o post mais difícil de todos. Não tem como falarmos de certas coisas sem trazer tudo à memória novamente. Vou tentar resumir, em um post breve, o mais longo mês da minha vida: Maio de 2010.

Theo já tinha frequentado uma escolinha antes, quando fez 1 aninho, mas ficou por pouquíssimo tempo, porque logo veio a gripe suína e todo aquele pânico das mães de crianças pequenas. Tínhamos mudado para o apartamento novo e maior no início do ano de 2010, em fevereiro. Logo, matriculamos o Theo na nova escola. Era uma escolinha bilíngue muito boa, quase na porta de casa.

No final do mês de Abril, eu e Leandro viajamos em uma segunda lua-de-mel. Meus pais vieram de Belo Horizonte pra São Paulo para ficar com o Theo, pra que ele mudasse sua rotina o mínimo possível e pudesse continuar indo à escola.

Eu acredito, realmente, que o Leandro sentia que alguma coisa estava errada. Assim que chegamos dos 19 dias de viagem, ele ligou para a escolinha do Theo e marcou uma reunião para saber como foi o primeiro mês “acadêmico” dele. E foi, sozinho, conversar com as professoras do Theo um dia depois.

Eu estava no trabalho quando ele me ligou. Parecia muito preocupado e disse que as professoras do Theo tinham apontado algumas coisas realmente graves no relatório dele. Pedi pra que ele lesse o relatório. E aí estava:

Imagem: Arquivo particular

O momento em que a “ficha cai” é o mais doloroso possível. Eu não precisava jogar no Google pra entender o que o relatório sugeria, apesar de eu não saber quase nada de autismo. Saí correndo do trabalho imediatamente e aos prantos.

Pediatras e afins

Em um primeiro momento, decidimos não comentar com ninguém e corremos para a pediatra do Theo, que nos encaixou no mesmo dia.

Ela leu o relatório, pareceu perplexa e afirmou categórica: “Não, seu filho não é autista! Pode ficar despreocupada! Tenho uma paciente autista da idade dele. Ela chega aqui, no consultório, senta no cantinho e fica balançando. O Theo não faz isso. Ele é esperto, explora o ambiente, procura brinquedos, interage com vocês”.

Em seguida, ela perguntou: “Ele fica muito tempo na tv? No dvd?”.

Respondemos, meio sem jeito, que sim. Daí, até explicar que “focinho de porco não é tomada” e que o dvd era consequência (dele não gostar de absolutamente nenhum brinquedo) e não causa, já era. Ela encerrou dizendo que o que ele tinha, provavelmente, era falta de estímulo (leia-se: vocês, pais, não estimulam o menino devidamente). E recomendou um exame de audiometria para saber se ele não respondia porque era surdo.

Saímos de lá totalmente sem chão. Não sei quem estava mais incomodado. Minha ficha tinha caído! Não adiantava a médica dizer que não tinha nada de errado com o meu filho! Agora, eu sabia que tinha!

Resolvi abrir o coração para a minha irmã e amiga, Luciana. Falei que a escola tinha umas desconfianças, tentei disfarçar. A resposta dela foi: “meu amor, acho que isso não vai ser supresa pra ninguém da família”. Parece que todo mundo já desconfiava de alguma coisa, mas não tinha coragem de falar.

Descobrimos que, no período em que estávamos fora, meu sogro levou o Theo em um pediatra muito famoso, especialista em comportamento infantil, que tem livros escritos e cobra uma fortuna pela consulta. O diagnóstico do pediatra: falta de estímulo. Mais uma vez, culpa dos pais que não estimularam a criança direito. Nada de autismo.

A peregrinação…curta, ainda bem

Eu prefiro acreditar que a maioria dos pais não cai no papo dos pediatras, assim como nós não caímos. Acho que, acima de tudo, nem eu nem Leandro somos do tipo de perfil que entra em negação.

A ficha tinha, mesmo, caído, e bem pesada. Resolvemos procurar profissionais focados nesse tipo de transtorno e fomos parar no consultório de um psiquiatra infantil muito famoso (e caro) em São Paulo.

Este senhor olhou o Theo por 5 minutos e já largou a bomba: “Não quero rotular o menino. O único rótulo que ele vai ter na vida é o nome dele. Blablablabla”. E nós, tentando entender melhor: “mas doutor, o senhor está dizendo que ele é autista?”. “Veja bem, não gosto de rótulos…”. SIM, ele estava dizendo que o Theo era autista, mas tudo isso sem dizer a palavra.

O psiquiatra nos indicou um tratamento com fonoaudióloga, massagens, mas tudo bem na linha alternativa. E já emendou: “vocês vão fazer a peregrinação, não é?! Eu sei que vão (e fez cara de tédio). Então, eu já digo pra vocês aonde ir”. E começou a listar vários médicos em São Paulo e outras capitais.

Leandro incomodado…eu incomodada. Não curtimos o cara. Ele não explicou praticamente nada. Só nos largou com um rojão na mão. Resolvemos ir atrás de um dos médicos que ele tinha citado, um neuropediatra de São Paulo.

Pesquisando no Google, descobri que ele era referência em autismo, tinha livros médicos escritos a respeito e vários artigos publicados. E lá fomos nós.

Doutor Salomão Schwartzman pediu para o Theo entrar na sala e fez vários testes com ele. Deu carrinho pra ele brincar… ele virou de cabeça pra baixo e ficou mexendo nas rodinhas. Chamou o Theo várias vezes pelo nome, e ele não olhou nenhuma vez. Mostrou brinquedos, fez barulhos, ligou uma lanterna…depois de uma meia hora, pediu pra o Theo sair para a sala de espera e nos deu o diagnóstico.

Transtorno Global do Desenvolvimento

- “Seu filho se enquadra no que chamamos de Transtorno Global de Desenvolvimento”.

Parecia que a cadeira tinha sumido debaixo de mim e que eu caía em um buraco enorme, sem fim.

E continuou:

- “Seu filho não fala”

- “Como assim, doutor?! Ele fala, sim! O senhor, mesmo, viu ele cantando a musiquinha!”

- “Ele te chama? Chama ‘mamãe’? Ele te pede água?”

- “Não, doutor…ele não faz isso”.

- “Ele dá tchau? Bate palminhas?”

- “Ele fazia isso, mas parou de fazer…”

- “Ele aponta para as coisas demonstrando interesse?”

- “Não…” (e não, não, vários “nãos”)

Dr Salomão foi bem didático: explicou que autismo é um transtorno global do desenvolvimento que afeta a parte da comunicação, da socialização e do comportamento da criança. E que, como o Theo ainda era muito novinho, não dava pra fechar exatamente o diagnóstico (de qual tipo de autismo estávamos falando). Mas que ele já descartaria autismo clássico, já que o Theo era esperto, aparentava inteligência normal, era afetuoso e, de certa forma, interativo. Ele poderia ser um caso de Síndrome de Asperger ou de TID-SOE (transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação). Este último é o diagnóstico da criança que, basicamente, não tem todas as características para ser encaixada como Asperger ou como autista clássico.

“E tem mais”, completou ele. “Autismo é genético. Portanto, NADA de culpa aí!”. Pensei na hora “obrigada, doutor! A gente realmente precisava ouvir isso!”

Daí, vieram as perguntas dos pais aflitos, chorosos e desgostosos do outro lado da mesa: “meu filho vai falar? Ele vai ser independente? O que posso esperar do futuro dele?”. E ele deu a única resposta possível: “Não sei. Não posso te prometer nada disso. Só posso dizer que o prognóstico dele é muito bom, porque não é dos casos mais graves e porque foi diagnosticado muito cedo para os padrões brasileiros. Vamos começar já a intervenção”.

E nos passou o telefone de uma fonoaudióloga focada em autismo…que, mais tarde, nos indicou uma terapeuta comportamental, especializada em análise do comportamento aplicada (ABA). Em menos de um mês após o diagnóstico, Theo já estava sendo tratado de forma apropriada.

Expectativas

Nenhuma mãe, no mundo, engravida pensando em ter um filho especial. Essa possibilidade nunca é cogitada, na maioria dos casos.

Lembro de quando estávamos “grávidos” do Theo. Quantos planos!! Ele vai estudar em tal colégio, vai fazer intercâmbio quando for adolescente, vai isso, vai aquilo…

Quando você recebe uma notícia como esta – do autismo -, é como se aquele bebezinho que você idealizou tivesse morrido. É um luto muito sofrido. A aceitação é muito, muito difícil.

Mas você tem, aí, um novo bebezinho, meio desconhecido pra você, é verdade. Mas que também vai te dar muitas alegrias. E que não quer estudar no Colégio Porto Seguro ou fazer intercâmbio: tudo o que ele quer é ser feliz, ser amado e ser aceitado.

E é esse novo bebê que eu tenho abraçado todos os dias. Tento viver, agora, com o mínimo de expectativas. Um dia após o outro. Cada conquista pequena dele é uma imensa alegria!

Ainda estamos nos conhecendo, é verdade. Passamos por vários momentos difíceis todos os dias. Mas amo ele mais que tudo. E vou fazer todo o possível pra que ele se desenvolva, alcance todo o seu potencial e possa ser…FELIZ!



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Brinquedo de menina, brinquedo de menino

Imagem: arquivo pessoal

por: Tati

Já faz algum tempo que ando querendo falar aqui sobre esse assunto. Eu sei que não é um assunto novo, várias pessoas falaram sobre isso recentemente em seus blogs. Mas não deixa de ser um tema relativamente polêmico e com muito debate incluido, então acho que é muito válido colocar mais uma visão sobre o assunto.

Tenho a impressão de que, normalmente, as mulheres são mais "cabeça aberta" em relação a essa divisão entre o que é definido como brinquedos de menina e como brinquedos de menino. Tenho visto muito mais homens radicalmente contra e com posições até mesmo completamente retrógradas. O problema é que nossos filhos têm pais - mesmo quando não somos mais casadas com eles - e precisamos encontrar um meio termo entre o que acreditamos e o que eles acreditam, não é verdade?

Quando eu era criança, na minha casa eram duas meninas, eu e minha irmã. O que resultou em um "mundo" de bonecas e assemelhados. Mesmo assim a gente tinha carrinhos e outros brinquedos considerados "masculinos", se a gente realmente queria, meus pais não faziam essa distinção. Além disso, nós duas fomos criadas acampando, nadando em rio e subindo em árvores. Meu pai nos ensinou a soltar pipa na praia e tomou muito banho de chuva na rua conosco. Quando alguém perguntava a ele se não sentia falta de ter um menino, ele respondia que não, que tudo que ele faria com um menino já tinha feito com a gente.

Atualmente eu tenho um casal de filhos. E os dois brincam de tudo, carrinho, boneca e por aí vai. Se eu resolvesse proibir, dizer que um não pode brincar com o brinquedo do outro, acredito que estaria privando meus filhos de uma coisa incrível: a interação entre irmãos. Sem contar que não vejo problema algum que isso aconteça desta forma, cada um tendo seus brinquedos e cedendo na brincadeira da vez. Afinal, no futuro a Alice irá dirigir um carro e o Vítor terá uma casa e provavelmente terá filhos. Ao brincar, as crianças repetem e representam aquilo que vêem no dia a dia, nos ambientes em que frequentam. Nada melhor do que ter boas referências disso, aprendendo em casa.

Uma vez, minha irmã (que é psicóloga), me recomendou um excelente artigo que falava sobre brincadeiras. Nele, a autora Ana Lúcia Lourenço de Souza explica que brincar promove o desenvolvimento de habilidades como a coordenação motora, a criatividade e a inteligência. E que é importante promover oportunidades para o brincar, e isto inclui todas as possibilidades imagináveis, pois esses momentos de brincadeira também podem ser importantes para se ensinar comportamentos adequados e potencialmente úteis nas interações que a criança estabelece com seus pares. Então acho super justo não separar os brinquedos das crianças por gênero.

Atualmente temos encontrado nas lojas brinquedos que tradicionalmente seriam de um gênero só, mas com modificações para o outro, como um posto de gasolina rosa e panelinhas azuis. Eu acho isso muito legal! E vocês, comprariam para os seus filhos?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A primeira noite sem culpa



Fonte: wambie.com

Por: Lilian

Pegando carona no tema da nossa amiga Fabi, esse post também falará da danada da culpa, mas de um jeito diferente.

Por milhares de razões que só Freud explica,  a culpa é um sentimento impregnado na minha história psíquica. Culpa por não conseguir atender ao pedido de um amigo, de um familiar, por não dar conta de tudo o tempo todo, por não ter ido aonde esperavam que eu fosse, por não ter evitado a guerra no Iraque...enfim, culpa até por sentir culpa...rs.

Ouvimos por aí que com a maternidade, nasce a culpa. Então, imaginem o efeito que o nascimento da Olívia teve sobre a culpada de plantão. A dose da "danada" só aumentou.

Na primeira vez que saí de casa só com o marido, Olívia com 5 meses, quase morri.
Fomos ao aniversário de uma amiga em uma cidade vizinha e eu no caminho já comecei a ligar para saber como estavam as coisas. Louca de pedra.

Olívia chorava, porque era a primeira vez que ficava sozinha com a avó e eu me contorcia por dentro. Racionalmente, sabia que não estava fazendo nada de errado, mas sentia totalmente o contrário.

Com a ida da pequena ao berçário e depois com o desmame - dois duros processos de separação para mim - fui me acalmando aos poucos, sem perceber. Sua alegria ao ficar na escolinha  e seu desprendimento nato não me deram outra escolha (para saber mais, é só ler Aprendendo a praticar o desapego)...rs.

Outra coisa que tenho notado é que aos poucos estou voltando a olhar para mim. O que não acontecia há meses. Somando a tranquilidade de saber que minha filha está bem, sadia, feliz e que eu também existo, consegui um grande feito semana passada. Saí com o marido, sem culpa, sem medo, sem aquela pressa de voltar para casa.

Rimos, bebemos, e batemos papo como não fazíamos há tempos.  Antes eu sabia, racionalmente e com "certo nível de obviedade", que eu podia ser mulher e mãe ao mesmo tempo. Mas agora sinto isso aqui dentro. Acho que isso leva tempo mesmo. O tempo de cada um. Ohh sensação libertadora...


Beijo grande e bom fim de semana!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O processo cíclico da culpa materna

Imagem: Getty Image

Por: Fabi

Ontem em casa rolou um momento nada confortável. Sabe estes em que a gente briga com os filhos, com o marido, se sente incompreendida e antes de dormir pensa: eu poderia ter feito tudo de forma diferente?

Pois é, eu caio na minha própria armadilha muitas e muitas vezes. Como um processo cíclico. Algo desencadeia minha ansiedade, Joaquim pega no ar, começa a pirraçar e uma voz gigantesca fala em minha cabeça: QUEM É QUE MANDA, VOCÊ OU ELE?

Então, fico desesperada para educá-lo, fico com o coração duro, penso que tenho que ser forte e é nesse momento que cometo o maior de todos os erros.

Quem consegue educar, ou mesmo acalmar uma situação traindo aquilo que o coração pede?

Eu sabia exatamente o que precisava fazer, mas no calor da situação eu não permiti que isso aflorasse. Alimentei a coisa errada até que cedi e num determinado momento catei Joaquim no colo, disse o quanto o amava, pedi desculpas e tudo começou a entrar nos eixos novamente.

O mais engraçado é que isso mina a minha qualidade de mãe. Fiquei pensando que era uma péssima pessoa para Joaquim pelo fato de não me controlar nestas situações.

Ai, antes de deitar me conectei e li uma coisa que me fez refletir (e rir).

Uma amiga fofa postou que depois de dias de birra sentou e chorou junto com o filho e que ambos estavam bem por conta disso.
É bom, muito bom saber que não estamos sozinhas, certo?

Recado pro Joaquim. Filho, você vai ler muitas coisas de sua mãe quando for maior. A internet permite isso. Logo, quero que saiba que estou tentando fazer o melhor, mas sou de verdade e passo por enormes dificuldades. Te amo bebê!!! :)

Bjs grandes!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Gravidez e salto alto combinam?

Imagem daqui

por: Tati

Hoje vou começar a semana com um tema meio polêmico. No último sábado eu estava em uma loja de sapatos quando, ao meu lado, vejo uma grávida - com o maior barrigão - experimentando uma sandália com um salto imenso, do estilo "Globeleza". Eu fiquei bem quieta, pois não costumo ficar dando pitacos sem ser convidada. Mas depois de vê-la discutir com as duas ou três pessoas que a estavam acompanhando, dizendo que tinha gostado daquela sandália e era essa que ela iria levar, ignorando solenemente os apelos de que ela teria que ficar pelo menos uma hora em pé, não segurei minha língua. Comentei que ela podia cair e que já tinha visto acontecer. Me arrependi logo depois, realmente não gosto dar opinião quando não me pedem, mas confesso que fiquei um pouco chocada com a situação.

Talvez eu não seja a pessoa mais indicada para falar sobre isso, já que nunca fui muito fã de saltos. Mesmo antes de ser mãe eu já dava preferências pelos saltos mais grossos, ou estilo anabela. Atualmente só uso saltos baixos e sapatilhas. O costume e o conforto falaram mais alto. Mas eu tenho várias amigas que usam salto frequentemente e não vivem sem eles, eu entendo bem como é. Só que eu fico pensando: será que não dá para abrir mão da vaidade só um pouquinho, em prol do seu bem estar e da criança que você está carregando?

Quando a mulher engravida, o corpo passa a liberar um hormônio chamado relaxina. Ele tem a função de provocar o amolecimento das articulações pélvicas e suas articulações, dando a flexibilidade necessária para o parto, distendendo a pelve à medida que o bebê cresce e alargando o canal de passagem do bebê, para a hora do parto. Acontece que esse hormônio não atua apenas na pelve, ele circula por todo o corpo. O que significa que todas as articulações de uma gestante estão mais flexíveis e sensíveis, portanto mais sujeitas à torções e quedas. 

Outro ponto importante é que o centro de gravidade de uma grávida não é igual ao de uma mulher comum. Como a barriga pesa cada vez mais para a frente, a mulher é obrigada a compensar, jogando as costas para trás. O salto alto, em uma mulher comum, também joga o corpo para a frente, obrigando-a compensar para trás. O que significa que, grávida, a pessoa precisa fazer esse esforço de equilíbrio em dobro.

Eu até poderia falar em outros probleminhas, como circulação sanguínuea e tal, mas eu não sou especialista, sou apenas uma mãe, assim como vocês. E passei por duas gestações, sei bem como são as coisas nesta fase. E é exatamente por isso que queria propor uma reflexão para as grávidas que ainda estão em dúvida sobre usar ou não salto alto. Pensem assim: daqui a dois ou três meses, qual a importância que terá em sua vida o fato de você não ter usado salto em determinado evento ou ocasião? E se você usar e cair, qual será a importância disso daqui a dois ou três meses? Se a resposta para esses dois questionamentos fizer você achar que vale a pena usar o salto, vá em frente. Porque cada um é que sabe o que é melhor, não é verdade? Você é a única pessoa que pode pesar os prós e contras para tomar a decisão. Mas não deixe de considerar as opções com carinho. Até porque atualmente a moda está colaborando, existem lindos sapatos com saltos baixos - bem mais estáveis.

E vocês, o que acham disso?
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